Existe criança mal comportada?

Como é desconcertante para os pais quando seus filhos aprontam uma birra em lugares públicos ou mesmo dentro de casa.  É necessário que os adultos estejam atentos aos fatores desencadeantes destes comportamentos, que podem ser desde um pedido de limites, até alguma situação interna de difícil compreensão para a criança, como separação dos pais, perda de algum ente querido ou rompimento de alguma condição anterior que gerou desconforto emocional .

O que fazer quando seu filho se torna um “pequeno  tirano”?

Crianças que são cheias de vontade própria necessitam de disciplina para conhecerem os limites, regras e valores importantes da vida, para assim conquistarem a formação de laços sociais  e familiares.  No entanto, a disciplina não deve ser praticada exclusivamente para os momentos em que ela se porte mal, deve ser algo contínuo para que a mesma aprenda a distinguir entre o certo e o errado.

Primeiro passo é que estejam claras as regras e limites tanto para as crianças como para seus responsáveis que, além de conversarem com os pequenos, deverão praticar as regras e limites juntos, como forma de mostrarem que no mundo adulto também há regras. Assim todos ganham quando a criança aprende a ter autocontrole, o que favorece o convívio familiar e social.  Quando estabelecido, por exemplo,  retirar a televisão ou um determinado brinquedo, é importante que essa consequência, que já foi acordada com a criança, seja cumprida pelos pais ou responsáveis.  Assim as crianças percebem que não podem contornar as regras e nem avançar os limites, sem ter que lidar com as consequências.

Esta nunca foi uma tarefa fácil, e de fato não é. Exige persistência,  mas no final perceberão que valeu a pena !

Atitudes que demonstrem que as vontades da criança não são soberanas e devem  ser submetidas a vontade do outro, como ensinar a criança a respeitar os coleguinhas e adultos, aprender a usar as palavras “por favor” e “muito obrigado”, ajudarão as crianças a entrarem em um padrão de comportamento que prevê um tempo de  espera  para as coisas acontecerem, o que  pode evitar crises de choro ou gritos. Muitas vezes, devido ao desenvolvimento emocional próprio da idade da criança, os momentos de choro são inevitáveis. Os adultos devem se abaixar na altura dos filhos, falar em tom mais baixo e demonstrar que podem conversar assim que a criança se acalmar. As crianças observam e copiam, tudo aquilo que está ao seu redor,  por isso se estiver sempre a gritar com elas , vão pensar que não há nada de errado com isso e serão certamente um espelho, repetindo o comportamento na escola e com os pais. Você pode dizer que enquanto estiver chorando ou gritando, ela não será ouvida. É importante que a criança possa falar e expressar-se, mas sempre com respeito pelo outro.

Procure usar sim em vez de não. Devemos focar no comportamento que queremos ver ao invés daquele que não queremos pois é mais fácil para a criança aprender. Por exemplo, em vez de dizer “ não coloque  os brinquedos na mesa”  diga  “coloque os brinquedos aqui no chão” .

A dica para os pais é: mantenham-se firmes com as regras e limites já estabelecidos. Isso não quer dizer que não possam ser feitos novos e mais assertivos combinados com a criança, mas que o empenho deve ser primeiro dos pais em irem até o final com disciplina, porque no momento em que os pais cedem, a criança vai voltará a testar os limites.

Outro ponto importante é o afeto. Quando os pais estabelecem as regras e limites, as crianças geralmente perguntam ou pensam que não são mais amadas. Ser firme não significa que os pais não gostam dela; então pais, procurem esclarecer que o que vocês desaprovaram foi o comportamento, que vocês não gostaram das atitudes ou das palavras e mostrem que a disciplina não fará com que gostem menos dela. Assim os pais devem dizer o quanto gostam dela e dar-lhes um abraço depois de chamar a atenção.

E lembrem-se pais, que vocês são autoridade, devem exercê-la com responsabilidade e amor, e os filhos estarão seguros com pais que sabem ensinar os limites, porque eles formarão uma rede de proteção.

Pais fiquem atentos para alguns comportamentos persistentes que demonstrem indisciplina e procurem a ajuda de um psicólogo para avaliar. As crianças estão em desenvolvimento e formação, portanto uma fase que apresenta condições favoráveis a intervenções terapêuticas com bons resultados.

 

Karen Maciel Tomac

Psicóloga especialista em atendimento Infantil e integrante da equipe do Centro Terapêutico Akta Liv

CRP: 06/48802

 

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